Créditos da foto: Fernanda Romero

Créditos da foto: Fernanda Romero

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Zona de conflito, zona de conforto e um pouco mais do mesmo


Desde que iniciou o ano não leio jornal. Ler mesmo, com profundidade, não só ver as manchetes e “passar o olho” numa matéria ou outra que me interessou. 
Pra não dizer que não, li algumas colunas de opiniões. Mas só.
Ontem abri o jornal com o intuito de, ora, ler jornal. Ler de verdade. Mas desisti nos primeiros minutos.

Estafada, essa é a sensação.

Sempre tive dificuldade em lidar com o ócio. Minha mais latente e viva herança oriental, acredito. E um dos motivos que me fizeram buscar terapia, também. Mas já melhorei muito e venho melhorando a cada dia. E minhas últimas férias comprovaram que hoje sei simplesmente não fazer nada. Pra nada. Mas ainda preciso de outras provas.

Tudo pra mim tem que ter uma finalidade, nem que não esteja muito clara, a princípio. Caso contrário, é perda de tempo.

Até nos meus momentos de lazer. Descansar pra mim não é simplesmente ócio por ócio, há de ter um objetivo principal: descansar a mente e/ou o corpo. E muitas vezes, mesmo sem saber exatamente o que há de vir pela frente, o ócio tem pra mim um fim mais ou menos pré-determinado: uma resposta pra uma dúvida qualquer, uma ideia nova, um instante de criatividade, ou mesmo uma nova inquietação pra dar um novo rumo a minha história.

Rir com as amigas: relaxar. Passear num parque ou no shopping: ver paisagens ou coisas diferentes, sair um pouco do reduto do meu “mundo real”. Extravasar.

Talvez por essa minha dificuldade é que sinto cada vez mais dificuldade em ler jornais. Pra mim, hoje, ler um jornal não tem finalidade alguma.

A sensação é de sempre mais do mesmo. Pra nada no final. Uma sensação de "estafamento" (não sei se essa palavra não existe, vale ressaltar, mas nenhuma outra se encaixaria melhor) como cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Todos os dias, com apenas mudanças de personagens e algumas alterações aqui e acolá, as notícias são praticamente sempre as mesmas. Por isso migrei pras mídias sociais. Pelo menos lá consigo filtrar um pouco mais o que é do meu interesse, mesmo por puro lazer. E o que não me leva a nada.

O sentimento que fica pra mim é: tá, mas pra quê tanto alarde, tanto espetáculo, tanto, tanto... se amanhã tudo isso é somente uma vaga lembrança, quando muito?

“Pra estar informado, saber das coisas que acontecem”, como diria minha vó, quando a questiono o porquê ela insiste em assistir todo “santo dia” noticiários de tragédias. E pra ela esse é um motivo muito válido. Respeito.

Mas esse tipo de resposta já não me convence mais. Informado pra quê? Mudará alguma coisa eu saber detalhes de crueldades e acontecimentos funestos, com características sempre mais ou menos determinadas?

Acredito mesmo que notícias cruéis - sejam elas de mortes com requintes de maldade (sem precisar ferir também o espectador do outro lado) ou de políticos corruptos que roubam a vida e dignidade não só de uma, mas de milhões de pessoas – poderiam, e podem, efetivamente ter um objetivo concreto, e que não é somente “estar informado”.

Uma pequeníssima parcela da população se indignar, levantar do sofá - ou abrir uma página na Internet - e começar a se movimentar já é um grande motivo. E pra, talvez, gerar alguma transformação com benefícios pra vida de todo restante. Grandes mudanças sociais sempre aconteceram assim.

Informação por informação não tem finalidade, penso eu. Informação, pra ser válida, há de gerar reflexão, conhecimento, mudança de postura, atitude.
Mas pra vida da grande massa (e nisso eu também me incluo, de certa forma), a sensação é de conformismo. A vida é assim mesmo, o que se há de fazer...
E venho aqui novamente falar um pouco mais do mesmo (vide meu último post): questão de valores culturais.   

A responsabilidade desse quadro não está somente dentro das redações dos jornais, nem a solução unicamente nas salas de aula.

A mudança está nelas sim, com uma alteração profunda de valores, princípios e procedimentos. Parte delas, mas também está no trajeto entre um espaço e outro. Está em mim, em você, em nós.

Iniciando nelas - e em mim, em você, em nós - vai pra rua, pra avenida, passa pelo café na padaria, no bate-papo com um conhecido de longa data, corre pro escritório, vai pro almoço num self-service com colegas de trabalho, vai pro supermercado numa conversa rápida com a operadora de caixa, segue numa conversa com a mãe de um amiguinho de escola do filho. Vai pra vida.

Como já aprendemos um dia lá atrás, alterando-se as bases, altera-se um objeto, um cenário. Alterando mentalidades, muda-se uma casa, uma rua, um caminho, um bairro, um país, uma história.

Será que os atuais princípios e meios vêm valendo os fins? 





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mudança de dentro pro mundo

Houve um tempo em que elas foram consideradas perda de tempo, futilidade. Empresas e escolas se esforçavam pra proibir. E jovens, principalmente, se esforçavam pra burlar essas imposições.

Foi uma revolução. Falando somente a partir da minha própria vivência e memória, data de 2004, quase dez anos atrás.

Era um nome meio esquisito. Talvez por isso, a princípio, era considerado coisa de mulecada jovem e nerd.

No auge, lembro-me que passou até no Jornal Nacional. E hoje simplesmente caiu no esquecimento. Foi impiedosamente substituída por outras, mais arrojadas. Ou orkutcídios em massa.

A proposta inicial do Orkut era pra ser um site de relacionamento onde pessoas tivessem com quem compartilhar, através dessa rede, interesses em comum, pessoais ou profissionais. Lá, pessoas que gostassem de Caetano ou É o Tchan, tivessem gosto por ruivas ou questões profissionais pra compartilhar poderiam se unir em “comunidades” e trocar ideias, expor dúvidas, opiniões. Enfim, se relacionar com pessoas por meio do computador.

O que antes era possível somente através de meios de “um” para “um”, por e-mails ou telefonemas, transformou-se numa comunicação de “um” para “muitos”, e de “muitos” para “muitos”, ou multidirecional, formando uma imensa “rede”.

Nessa brincadeira, empresas começaram a perceber o grande potencial das redes para fazer publicidade, expandir seus negócios, chegar ao consumidor. E o que antes era somente entretenimento ou de interesses profissionais adquiriu status, realizando grandes transformações na dinâmica comunicacional da sociedade.

A forma de produzir e consumir informação também mudou radicalmente. O que antes era tarefa e poder dos meios de comunicação, único e exclusivo, passou a ser possível ao cidadão comum. 

Com a ampliação da oferta de aparelhos celulares com câmeras e acesso à Internet ampliou também a concorrência, gerando diminuição dos preços. E a partir daí qualquer pessoa com um celular com câmera na mão poderia fazer um registro de um acontecimento e publicá-lo na rede. 

Esse novo momento da comunicação foi chamado por alguns estudiosos da área de “era da mobilidade”, ou “era da conexão”.

No entanto, o que a primeira vista pode ser interpretado como revolução social traz algumas consequências inegavelmente negativas. Primeiramente, nesse contexto, é muito difícil distinguir uma informação de credibilidade de um simples fragmento de um acontecimento mais amplo, uma impressão.

Segundo: nessa era, a quantidade de informações que chega até nós é tamanha que fica cada vez mais difícil compreendermos uma determinada notícia dentro de um contexto maior, não meramente como um fato isolado. Mais complicado ainda é transformarmos tudo isso em algum conhecimento válido pra nossa vida real, ou algo de útil pra nossa vida cotidiana, o que também pode ser nomeado sabedoria. 

Nesse mar de informações, estamos cada vez mais sendo levados pela correnteza. E morrendo na praia.

Se cada um de nós, cidadãos comuns, usarmos as redes de forma crítica e selecionarmos aquilo que é do interesse ou necessário pra nossa própria vida, já é um grande feito. No entanto, o potencial de uma sociedade conectada em rede é muito maior que isso, se soubermos utilizá-la bem. 

Nesse sentido, muitos falam em transformação social por meio das redes. E algumas iniciativas já estão comprovando que isso pode ser possível na prática, mas mostrando também que não basta somente a ferramenta. O essencial são as ideias, o desejo de ação e transformação do ser humano do outro lado da tela.

Uma das ideias das mais bacanas que surgiu nos últimos tempos com a proposta de possibilitar ao cidadão fazer jus a esse título por meio da Internet foi o portal “Cidade Democrática” (www.cidadedemocratica.org.br).





Nele, nós, pessoas comuns, podemos participar cobrando prefeitos de promessas realizadas, propondo sugestões para melhoria de nossos bairros e cidades, divulgando problemas, trocando com outras pessoas que moram em nossas proximidades (ou não), ajudar e ser ajudado no aperfeiçoamento de ideias, apoiar e ser apoiado, gerando força. E gestores públicos podem utilizar a plataforma para trocar com os moradores de suas localidades, conhecer suas necessidades, anseios, atuando todos em sistema de colaboração em prol do bem comum.




Tudo isso pode parecer – e ser mesmo – muito bonito e bacana. No entanto, acredito que se não houver alguns elementos principais, que orientam todo esse movimento, uma real transformação social por meio das redes é impossível.

Instrumentos são simplesmente instrumentos. Só adquirem sentido a partir do ato humano. Da mesma forma, uma rede social só traz mudanças efetivas numa sociedade se houver o desejo verdadeiro dos envolvidos.
E essa motivação que vem do íntimo só é possível, penso eu, por dois caminhos: ou é da própria natureza do ser humano, daquele que nasce com um justiceiro dentro de si, ou por identidade cultural. 

Pra uma plataforma como essa cair no gosto do povo e mostrar ao que veio, sentimentos de engajamento, empatia, patriotismo e pertencimento devem compor as bases dentre os valores de uma sociedade.

Estamos no caminho? A partir de iniciativas pontuais de alguns engajados por aí - como o próprio Cidade Democrática - que se juntam e tomam força, acredito que sim. Mas a transformação efetiva, generalizada e, portanto, consistente, só se dará a partir da transformação de mentalidades, possível unicamente por três caminhos: ensinamentos na escola, atitudes no trajeto e exemplos práticos em casa.


Fonte: facebook.com/cidadedemocratica








terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tempo de colheita

Terça-feira de Carnaval. Como regra básica da semana, cá estou eu, um pouco mais lentinha do que o normal, resultado de uma semaninha de férias na Bahia (sem nenhuma referência e com todo o respeito aos baianos, que me receberam tão bem por lá! Sair de férias, por si só, dá nisso). É, como diria minha vó, "tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas tá na hora de cuidar da vida". (rs.)

Confesso que essa semaninha fora desapeguei totalmente de todos meus compromissos aqui em São Paulo. Relaxei a mente e esqueci da vida literalmente, embora dessa vez havia um componente diferente em pleno solzão e marzão das praias da Bahia: as fotos no Facebook. 

De verdade, eu nunca imaginei um dia que de um aparelhinho de celular eu pudesse compartilhar com meus amigos daqui do ABC e São Paulo, instantaneamente, todas aquelas belezas-coisas-lindas-de-Deus. E, em momentos de ócio criativo, eu pudesse dividir meus devaneios originados em cenários paradisíacos como aqueles.

E só lá eu pude perceber em como por conta da correria do dia-a-dia há tempos eu não ia à praia. E como eu precisava de toda aquela sensação boa, de descanso pra cabeça, de sair de cena pra voltar renovada. 

Também pensei em como falta esse tipo de experiência pras crianças da "cidade grande" com mais frequência: brincar na água, carregar baldinho, caçar conchinhas, fazer castelo de areia. Isso vai dar um texto futuramente, com toda certeza.

Mas hoje to aqui pra dividir com vocês uma conquista, resultados de anos de trabalho duro, pra mim tão grande e tão preciosa quanto a beleza daqueles verdadeiros paraísos que visitei. Essa foi minha única questão profissional que levei de São Paulo durante minha estadia lá.

Dia 05/02/2013 eu estava em Trancoso. De todas as praias, esta pra mim é a mais bonita. Mesmo num cenário como aquele, minha cabeça não saía daqui do ABC. Neste dia sairia minha primeira coluna sobre Educação na Revista Merc News, de grande credibilidade aqui na região.

Eu estava muito ansiosa. Queria ver com meus próprios olhos, e não aguentaria chegar em São Paulo só depois de cinco dias pra conferir. Cheguei a tardezinha no hotel e meu celular, que não é dos mais modernos em termos de Internet, não abriu a página da revista digital.

Corri na recepção pra locar um netbook. Nem aguentei subir pro quarto, abri lá na recepção mesmo, tamanha ansiedade. E lá estava, o resultado de anos de trabalho, lá, concretizado, um sonho que sempre tive, falar diretamente com as pessoas sobre aquilo que penso ser a principal ferramenta pra verdadeira transformação de uma sociedade: Educação. Educação onde ela verdadeiramente começa, em casa. Educação baseada em bons valores, em cultura, em diálogo, em reflexão e atitude. 

Não consegui conter as lágrimas.

De repente, percebo que algumas pessoas na recepção me olham com cara de interrogação. Tudo valeu e vem valendo muito a pena (até o pequeno mico momentâneo...rs).

Pra quem não teve a oportunidade de ler, aqui vai o link: http://www.mercnews.com.br/sitenovo/revistadigital/ed211/p16.jpg



Espero que curtam! :)







terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Jogo sem fim (ou Daquela manhã de domingo)


Uma das coisas que mais me fazem felizes na vida são manhãs de domingo. Pra mim, em toda manhã de domingo o aroma do café é mais gostoso, e o Sol brilha mais bonito.

Pra mim, toda manhã de domingo traz consigo uma alegria sem motivo especial, uma renovação de fé, fé nos planos, na vida, uma paz dentro do peito de que tudo já deu certo, de alguma forma.

Domingo de manhã é o dia em que vou ao parque aqui do meu bairro, o Parque Regional, que na minha infância já foi chamado de Palhaço Estremelique, pra caminhar, caminhar, caminhar e, quando cansar, sentar pra ver pais e filhos jogar bola. É a forma que encontrei pra relaxar a mente dos desafios da semana.
Mas naquela manhã de domingo não houve jogo de futebol entre pai e filho.

Naquela manhã de domingo houve somente o choro de centenas de pais por muitas partidas perdidas que ainda estavam por vir. 

Naquela manhã de domingo crianças, que estavam na fase do avançar uma casa, não tiveram a chance de terminar o jogo, com dignidade até o fim, porque foram roubadas. Roubadas as suas oportunidades. De perder, de tentar, de perseverar, de cair e levantar, de tentar de novo, de quase desistir, mas se reerguer, de superar, de perder de novo, de aprender, de ganhar. 

Num jogo decente, ganha quem tem a melhor estratégia. Mas querer vencer a base da força é desleal, não é jogo. É roubo.

E nesse jogo, 231 vidas foram roubadas. De forma cruel e por razões banais.

Agora, pais e mães de 231 crianças nunca mais poderão jogar junto com seus filhos, nem ver seus filhos jogar. E perder, e tentar, e perseverar, e cair e levantar, e tentar de novo, e quase desistir, mas se reerguer, e superar, e perder de novo, e aprender, e ganhar. E viver.


PS.: próxima terça-feira, 05/02, não haverá postagem. Estarei em viagem sem acesso ao computador.





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lição dos mares

É Janeiro! Verão, Sol, mar... mês de férias da garotada e época em que as praias brasileiras lotam.

Mas infelizmente lotam e não é só de pessoas. Esse também é o período em que uma de nossas maiores riquezas naturais são invadidas por lixo de todo tipo: garrafas e sacolas plásticas, cascas de coco, comida, latas de alumínio... enfim, uma infinidade de resíduos que colocam em risco não só nossa saúde como a vida de toda espécie marinha.

E foi pensando nisso que o Tamar, organização de preservação das tartarugas marinhas, promove com crianças e adolescentes iniciativas de limpezas das praias e coloca na prática aprendizados de Educação Ambiental.




Essas atividades acontecem principalmente nas praias da Bahia, Espírito Santo, Sergipe e São Paulo. 

Uma outra ação que também busca a conscientização das pessoas sobre o problema acontece todos os anos no terceiro sábado de setembro. Nesse dia, nomeado de "Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias" e realizado desde 1986 pela ONG americana The Ocean Conservancy, são realizados mutirões de limpeza nas praias também envolvendo crianças e adolescentes e palestras sobre o tema para o público em geral.







E pra fortalecer ainda mais os conceitos junto à garotada, o Tamar criou a “Galera da Praia”, tirinhas em formato de quadrinhos com histórias lúdicas e divertidas que abordam todas as causas que a ONG atua, desde poluição dos mares, desova de tartarugas marinhas, fotopoluição (luzes artificiais que confundem as tartaruguinhas que acabaram de nascer onde, ao invés delas irem para o mar, vão em direção às luzes e podem morrer).





Novas tirinhas são publicadas todos os sábados no portal ibahia.com.

Outra região de praias que também realiza ações de conscientização com crianças e adolescentes é o Guarujá, litoral sul de São Paulo.

Com o projeto intitulado “Tira o Lixo, põe o bicho”, do Núcleo de Informação e Educação Ambiental, na praia do Tombo, crianças de 03 a 10 anos aprendem por meio de palestras e teatros com professores do curso técnico de Meio Ambiente sobre preservação do ecossistema dos litorais e as ameaças que o homem causa a natureza.




A parte mais legal da história (na minha opinião, e acho que das crianças também!), é o teatro interativo. Nele, elas são convidadas a participar do enredo tirando lixos de um painel e colocando animais de espécies marinhas.




Uma parte muito importante disso tudo é que o Núcleo fica bem de frente pro mar. Assim, o aprendizado torna-se mais significativo pra criançada.






Podem participar das atividades crianças de 03 a 10 anos de idade da comunidade em geral e turistas.





Uma outra ação muito bacana com essa mesma pegada aconteceu em Salvador, na Bahia, mais especificamente com crianças de uma escola próxima à Praia Porto da Barra.

Tudo começou porque um frequentador começou a perceber o quanto aquele belo cenário vinha sendo invadido por lixo de toda espécie. Por isso, ele, que também é pesquisador em Geologia Ambiental, Hidrogeologia e Recursos Hídricos resolveu colocar o pé na areia literalmente e fazer uma pesquisa com os frequentadores do espaço pra saber qual era o perfil do público que frequentava aquela praia, e disso tentar encontrar soluções para o problema.




Daí ele constatou que a maioria frequentadora do local eram moradores da região. Foi quando ele recebeu sugestões dos próprios banhistas pra fazer ações educativas sobre a problemática em alguma escola próxima àquela praia.
Seguiu-se então para a escola, e o projeto foi totalmente abraçado pelos professores e alunos envolvidos. Participaram da empreitada 28 crianças do 3. e 5. ano do Ensino Fundamental.

A partir de abordagens teóricas, práticas e lúdicas, atividades como pesquisas realizadas pelas crianças com vendedores de praia e funcionários de limpeza pública com experiência em praias, construção de painéis com lixos coletados em mutirões realizados por eles e oficinas de reutilização do lixo permearam todo o projeto.

Ao final, uma exposição com todo o material produzido pelas crianças, além de exibição de fotos e vídeos fecharam a tarefa com maestria.




Embora iniciativas incríveis, que no futuro nenhuma praia precise ser limpa, mas se mantenha sempre assim como ela é: bonita por natureza.


Fonte:   tamar.org.br
            globalgarbage.org
            guaruja.sp.gov.br
            maiseducacaoguaruja.blogspot.com.br




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Fazer sentido

Das minhas experiências em Educação, tanto profissionais como enquanto aluna, percebo que aprendizado de verdade, aquele que se torna imortal porque teve significado, passa invariavelmente por três palavras: sensibilizar, envolver e inspirar.

Talvez por isso sou até hoje uma negação em Exatas, pois a maioria daquilo que precisei “aprender” (leia-se decorar) nessa área não tinha nenhum sentido prático pra minha vida. O “para quê” era meu maior questionamento...

E penso que seja esse o maior desafio da Educação da atualidade. Com tantos estímulos para os sentidos (e que nos fazem muito sentido...) rondando por aí, como despertar o interesse de crianças e jovens para o desejo do conhecimento?

Com tantos temas desafiadores na nossa sociedade, como motivá-los para o debate, a reflexão, a atitude? Como sensibilizar, envolver, inspirar?

Na Educação dos nossos tempos, os meios audiovisuais são mais do que meros instrumentos para transmissão de conteúdos: é colocar vida real no aprendizado. É estimular os cinco sentidos. É sensibilizar, fazer sentido.

O que não quer dizer que esses recursos, por si sós, sejam capazes de também envolver e inspirar. Eles são simplesmente ferramentas para que a aprendizagem aconteça de forma mais lúdica, mais interativa. No entanto, o sentido humano nesse processo, o “para quê”, ainda é sua principal razão de ser.

E a razão de ser de um projeto de Educação para esses nossos e novos tempos que acontece no Ceará é a preservação ambiental e das tartarugas marinhas.

Por meio da linguagem do cinema, o Cine Tamar - um cinema ao ar livre com apresentações de filmes e documentários em praças, igrejas e muros de vilas - busca sensibilizar uma comunidade de descendentes indígenas, a Comunidade Almofala, para temas como meio ambiente e pesca predatória, e com informações bastante práticas, envolver e inspirar moradores para preservar o meio em que vivem.




O Cine Tamar é parte das ações de Educação Ambiental do Projeto Tamar, ONG de preservação das tartarugas marinhas. 

Nessa comunidade também foi instalado em 2004 o CEA - Centro de Educação Ambiental. Lá, escolas, faculdades, universidades, grupos de estudantes, pescadores e moradores podem fazer visitas para conhecer mais sobre as tartarugas e meio ambiente. O CEA recebe atualmente 13 mil pessoas por ano.




Outro projeto que também utiliza a sétima arte para sensibilizar e conscientizar sobre questões ambientais é o (Re)ciclo de Cinema.
Percorrendo escolas e praças públicas de todo o Brasil, ele leva com seu cinema itinerante mais que informações sobre desenvolvimento sustentável: leva lazer e Arte. Leva Cultura. Leva possibilidade de uma nova experiência. Leva envolvimento e inclusão.








O projeto já visitou quase 500 escolas públicas de todas as regiões do país, impactando diretamente mais de 50.000 pessoas entre alunos e professores, e cerca de 300.000 nas noites em praças públicas.






Mais que meros meios para a Educação social, estas são ideias audaciosas de princípios nobres para a construção da cidadania. Com fins promissores.




Fonte: www.tamar.org.br
          www.reciclodecinema.blogspot.com




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quanto vale a cultura?

R$ 7.000.000.000, ou 7 bilhões de reais por ano. Pra nós, cidadãos comuns, independentemente de classe social, é uma grande quantia de dinheiro.

Pro governo, é razoável, relativo. Que seria possível desenvolver projetos e amenizar ou solucionar problemas sociais, sem dúvida, mas se é muito ou pouco depende do tamanho, abrangência e complexidade da situação.

Sete bilhões de reais por ano foi o valor estipulado pelo governo federal para a cultura do Brasil em 2013. Dia 27 de dezembro de 2012, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que criou o Vale Cultura: um benefício de R$ 50,00 mensais para que todo trabalhador brasileiro que ganhe até 5 salários mínimos em regime CLT (ou R$ 3,39 mil, de acordo com reajuste salarial em janeiro de 2013) consuma em atividades ou bens culturais: seja indo ao teatro, show, cinema, ou comprando livros e DVD’s.
Estima-se que, atualmente, aproximadamente 17 milhões de pessoas ganham até 5 salários no país.

O termo “Vale Cultura” não me soou bem. Pareceu-me algo como se tivessem dando à pobres, agora, o direito de acesso ao lazer, como se este não fosse um direito de cada um de nós, assim como educação, saúde e trabalho.

No entanto, do ponto de onde estamos / estávamos, saber que o lazer do brasileiro foi considerado como digno de projeto de lei e mais, digno de direcionamento de uma verba dessa de fim único e exclusivo para lazer, vista as peculiaridades do projeto,  me parece um exemplo concreto de mudança e progresso, principalmente em termos de valores sociais.

Cada trabalhador nessas condições ter R$ 50,00 poder ir com sua família no cinema no final de semana ou comprar um livro pro seu filho, sem peso na consciência de estar utilizando essa quantidade de dinheiro com algo “supérfluo” enquanto há outras necessidades básicas pra pagar, sim, é um avanço social. E isso não tem preço.

Assim como já cantou o Titãs certa vez, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, o ser humano precisa, como necessidade básica de sobrevivência, de ilusão para viver, seja em qual característica e dose for. Não fosse assim, novelas, música e Publicidade não teriam a influência que têm em nosso cotidiano, por mais alternativo ao sistema que se deseje ser.

E como você investiria esse dinheiro? Mas afinal, o que é cultura? Novela é cultura? Sertanejo universitário é cultura? Ou um concerto de ópera que pode ser considerado como cultura?

Cultura é aquilo que define uma sociedade em termos de ideias, conhecimentos e atitudes. Segundo o dicionário “cultura” é, em termos gerais, seu conteúdo social. Em termos biológicos e intelectuais, aplicação do espírito em algo, aquilo que, a partir do movimento possível único e exclusivamente à subjetividade humana, transforma algo natural em civilização, em desenvolvimento intelectual.

A partir dessa definição, a ideia aqui não é, em hipótese alguma, dizer que isso ou aquilo pode ou deve ser considerado cultura, ou não pode, ou não deve. Afinal, se cultura é uma manifestação do espírito, independente de ser algo feito pra ser vendável, foi feito por um ser humano. Logo, é cultura. Segundo: há coisas que podem não ser consideradas de “gente culta”, mas simplesmente tocam. Ou seja, cumpriu com sua missão. Teve, em alguma medida, graça, poesia e encantamento.  

Mas será que esse valor não poderia ser melhor aplicado num projeto mais estratégico de ações mais bem definidas e, consequentemente, de resultados passíveis de serem melhor controlados? Afinal, dinheiro público é de interesse de todos saber como está sendo aplicado, e os resultados concretos dos investimentos.

Será que esse dinheiro não poderia ser investido em projetos dentro de escolas com crianças de Educação Infantil e Ensino Fundamental, com temáticas envolvendo os objetivos do milênio estipulados pela ONU, promovendo assim o conhecimento dessa geração sobre eles e desenvolvendo seu senso crítico, reflexão e atitude sobre e para o mundo em que vivem?

                             Fonte: amigosdomilenio.blogspot.com

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-O2qJZ_VbbDBxxRnNXzwfoKZe96spcE0SyBivfwFa3T_XetJfWwQGbzpACCnlqId31_cznqDXqice8jhqvis5MmBHUe-EAViXbJGmKyZu0s2DGUh-a-cUjU1ndWBsk7u8ygNawrKeJ4IK/s1600/Metas_do_Milenio.jpg
Ou financiando projetos científicos e tecnológicos de jovens do Ensino Médio da Educação Profissional que tragam melhorias efetivas para a qualidade de vida de pessoas, seja de um bairro, uma cidade?

Com tantos trabalhos incríveis rolando Brasil afora, não seria mais interessante proporcionar incentivos financeiros a grupos artísticos, que tanto lutam por um lugar ao Sol nesse país, que em contrapartida levem sua arte criativa para essa mesma população que receberia (receberá) o benefício, estimulando assim a valorização da nossa cultura popular?

Ou com incentivos a artistas de rua, artesãos, para que levem sua arte para outros lugares, gerando assim, além de inclusão social e econômica, o resgate de identidades culturais e o respeito e valorização por parte de moradores de outras regiões do país, que sequer teriam a oportunidade de conhecer tais habilidades?

Ou mesmo com incentivo a empresas, para que desenvolvam produtos e serviços culturais social e ambientalmente responsáveis e promovam valores como ética, solidariedade, autonomia e perseverança?

Ou proporcionando meios tecnológicos para que populações de baixa renda produzam seus próprios canais de comunicação (como estações de rádio ou webescolas), gerando assim o fortalecimento de sua auto-estima enquanto grupo social?

São somente ideias minhas, e não sei o quanto tudo isso custaria pra saber se são possíveis ou não de serem colocadas em prática, mas ao investir em um Vale Cultura-Educação, num sistema que não seja de “um (governo) para um (pessoa)” e sim de “um (governo) para muitos (projetos com pessoas)”, os resultados poderiam ser melhor controlados, mais amplos. Mais positivos.

Pensar o valor da cultura de uma nação para além de valores monetários, isso não tem preço.