Créditos da foto: Fernanda Romero

Créditos da foto: Fernanda Romero

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tempo de colheita

Terça-feira de Carnaval. Como regra básica da semana, cá estou eu, um pouco mais lentinha do que o normal, resultado de uma semaninha de férias na Bahia (sem nenhuma referência e com todo o respeito aos baianos, que me receberam tão bem por lá! Sair de férias, por si só, dá nisso). É, como diria minha vó, "tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas tá na hora de cuidar da vida". (rs.)

Confesso que essa semaninha fora desapeguei totalmente de todos meus compromissos aqui em São Paulo. Relaxei a mente e esqueci da vida literalmente, embora dessa vez havia um componente diferente em pleno solzão e marzão das praias da Bahia: as fotos no Facebook. 

De verdade, eu nunca imaginei um dia que de um aparelhinho de celular eu pudesse compartilhar com meus amigos daqui do ABC e São Paulo, instantaneamente, todas aquelas belezas-coisas-lindas-de-Deus. E, em momentos de ócio criativo, eu pudesse dividir meus devaneios originados em cenários paradisíacos como aqueles.

E só lá eu pude perceber em como por conta da correria do dia-a-dia há tempos eu não ia à praia. E como eu precisava de toda aquela sensação boa, de descanso pra cabeça, de sair de cena pra voltar renovada. 

Também pensei em como falta esse tipo de experiência pras crianças da "cidade grande" com mais frequência: brincar na água, carregar baldinho, caçar conchinhas, fazer castelo de areia. Isso vai dar um texto futuramente, com toda certeza.

Mas hoje to aqui pra dividir com vocês uma conquista, resultados de anos de trabalho duro, pra mim tão grande e tão preciosa quanto a beleza daqueles verdadeiros paraísos que visitei. Essa foi minha única questão profissional que levei de São Paulo durante minha estadia lá.

Dia 05/02/2013 eu estava em Trancoso. De todas as praias, esta pra mim é a mais bonita. Mesmo num cenário como aquele, minha cabeça não saía daqui do ABC. Neste dia sairia minha primeira coluna sobre Educação na Revista Merc News, de grande credibilidade aqui na região.

Eu estava muito ansiosa. Queria ver com meus próprios olhos, e não aguentaria chegar em São Paulo só depois de cinco dias pra conferir. Cheguei a tardezinha no hotel e meu celular, que não é dos mais modernos em termos de Internet, não abriu a página da revista digital.

Corri na recepção pra locar um netbook. Nem aguentei subir pro quarto, abri lá na recepção mesmo, tamanha ansiedade. E lá estava, o resultado de anos de trabalho, lá, concretizado, um sonho que sempre tive, falar diretamente com as pessoas sobre aquilo que penso ser a principal ferramenta pra verdadeira transformação de uma sociedade: Educação. Educação onde ela verdadeiramente começa, em casa. Educação baseada em bons valores, em cultura, em diálogo, em reflexão e atitude. 

Não consegui conter as lágrimas.

De repente, percebo que algumas pessoas na recepção me olham com cara de interrogação. Tudo valeu e vem valendo muito a pena (até o pequeno mico momentâneo...rs).

Pra quem não teve a oportunidade de ler, aqui vai o link: http://www.mercnews.com.br/sitenovo/revistadigital/ed211/p16.jpg



Espero que curtam! :)







terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Jogo sem fim (ou Daquela manhã de domingo)


Uma das coisas que mais me fazem felizes na vida são manhãs de domingo. Pra mim, em toda manhã de domingo o aroma do café é mais gostoso, e o Sol brilha mais bonito.

Pra mim, toda manhã de domingo traz consigo uma alegria sem motivo especial, uma renovação de fé, fé nos planos, na vida, uma paz dentro do peito de que tudo já deu certo, de alguma forma.

Domingo de manhã é o dia em que vou ao parque aqui do meu bairro, o Parque Regional, que na minha infância já foi chamado de Palhaço Estremelique, pra caminhar, caminhar, caminhar e, quando cansar, sentar pra ver pais e filhos jogar bola. É a forma que encontrei pra relaxar a mente dos desafios da semana.
Mas naquela manhã de domingo não houve jogo de futebol entre pai e filho.

Naquela manhã de domingo houve somente o choro de centenas de pais por muitas partidas perdidas que ainda estavam por vir. 

Naquela manhã de domingo crianças, que estavam na fase do avançar uma casa, não tiveram a chance de terminar o jogo, com dignidade até o fim, porque foram roubadas. Roubadas as suas oportunidades. De perder, de tentar, de perseverar, de cair e levantar, de tentar de novo, de quase desistir, mas se reerguer, de superar, de perder de novo, de aprender, de ganhar. 

Num jogo decente, ganha quem tem a melhor estratégia. Mas querer vencer a base da força é desleal, não é jogo. É roubo.

E nesse jogo, 231 vidas foram roubadas. De forma cruel e por razões banais.

Agora, pais e mães de 231 crianças nunca mais poderão jogar junto com seus filhos, nem ver seus filhos jogar. E perder, e tentar, e perseverar, e cair e levantar, e tentar de novo, e quase desistir, mas se reerguer, e superar, e perder de novo, e aprender, e ganhar. E viver.


PS.: próxima terça-feira, 05/02, não haverá postagem. Estarei em viagem sem acesso ao computador.





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lição dos mares

É Janeiro! Verão, Sol, mar... mês de férias da garotada e época em que as praias brasileiras lotam.

Mas infelizmente lotam e não é só de pessoas. Esse também é o período em que uma de nossas maiores riquezas naturais são invadidas por lixo de todo tipo: garrafas e sacolas plásticas, cascas de coco, comida, latas de alumínio... enfim, uma infinidade de resíduos que colocam em risco não só nossa saúde como a vida de toda espécie marinha.

E foi pensando nisso que o Tamar, organização de preservação das tartarugas marinhas, promove com crianças e adolescentes iniciativas de limpezas das praias e coloca na prática aprendizados de Educação Ambiental.




Essas atividades acontecem principalmente nas praias da Bahia, Espírito Santo, Sergipe e São Paulo. 

Uma outra ação que também busca a conscientização das pessoas sobre o problema acontece todos os anos no terceiro sábado de setembro. Nesse dia, nomeado de "Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias" e realizado desde 1986 pela ONG americana The Ocean Conservancy, são realizados mutirões de limpeza nas praias também envolvendo crianças e adolescentes e palestras sobre o tema para o público em geral.







E pra fortalecer ainda mais os conceitos junto à garotada, o Tamar criou a “Galera da Praia”, tirinhas em formato de quadrinhos com histórias lúdicas e divertidas que abordam todas as causas que a ONG atua, desde poluição dos mares, desova de tartarugas marinhas, fotopoluição (luzes artificiais que confundem as tartaruguinhas que acabaram de nascer onde, ao invés delas irem para o mar, vão em direção às luzes e podem morrer).





Novas tirinhas são publicadas todos os sábados no portal ibahia.com.

Outra região de praias que também realiza ações de conscientização com crianças e adolescentes é o Guarujá, litoral sul de São Paulo.

Com o projeto intitulado “Tira o Lixo, põe o bicho”, do Núcleo de Informação e Educação Ambiental, na praia do Tombo, crianças de 03 a 10 anos aprendem por meio de palestras e teatros com professores do curso técnico de Meio Ambiente sobre preservação do ecossistema dos litorais e as ameaças que o homem causa a natureza.




A parte mais legal da história (na minha opinião, e acho que das crianças também!), é o teatro interativo. Nele, elas são convidadas a participar do enredo tirando lixos de um painel e colocando animais de espécies marinhas.




Uma parte muito importante disso tudo é que o Núcleo fica bem de frente pro mar. Assim, o aprendizado torna-se mais significativo pra criançada.






Podem participar das atividades crianças de 03 a 10 anos de idade da comunidade em geral e turistas.





Uma outra ação muito bacana com essa mesma pegada aconteceu em Salvador, na Bahia, mais especificamente com crianças de uma escola próxima à Praia Porto da Barra.

Tudo começou porque um frequentador começou a perceber o quanto aquele belo cenário vinha sendo invadido por lixo de toda espécie. Por isso, ele, que também é pesquisador em Geologia Ambiental, Hidrogeologia e Recursos Hídricos resolveu colocar o pé na areia literalmente e fazer uma pesquisa com os frequentadores do espaço pra saber qual era o perfil do público que frequentava aquela praia, e disso tentar encontrar soluções para o problema.




Daí ele constatou que a maioria frequentadora do local eram moradores da região. Foi quando ele recebeu sugestões dos próprios banhistas pra fazer ações educativas sobre a problemática em alguma escola próxima àquela praia.
Seguiu-se então para a escola, e o projeto foi totalmente abraçado pelos professores e alunos envolvidos. Participaram da empreitada 28 crianças do 3. e 5. ano do Ensino Fundamental.

A partir de abordagens teóricas, práticas e lúdicas, atividades como pesquisas realizadas pelas crianças com vendedores de praia e funcionários de limpeza pública com experiência em praias, construção de painéis com lixos coletados em mutirões realizados por eles e oficinas de reutilização do lixo permearam todo o projeto.

Ao final, uma exposição com todo o material produzido pelas crianças, além de exibição de fotos e vídeos fecharam a tarefa com maestria.




Embora iniciativas incríveis, que no futuro nenhuma praia precise ser limpa, mas se mantenha sempre assim como ela é: bonita por natureza.


Fonte:   tamar.org.br
            globalgarbage.org
            guaruja.sp.gov.br
            maiseducacaoguaruja.blogspot.com.br




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Fazer sentido

Das minhas experiências em Educação, tanto profissionais como enquanto aluna, percebo que aprendizado de verdade, aquele que se torna imortal porque teve significado, passa invariavelmente por três palavras: sensibilizar, envolver e inspirar.

Talvez por isso sou até hoje uma negação em Exatas, pois a maioria daquilo que precisei “aprender” (leia-se decorar) nessa área não tinha nenhum sentido prático pra minha vida. O “para quê” era meu maior questionamento...

E penso que seja esse o maior desafio da Educação da atualidade. Com tantos estímulos para os sentidos (e que nos fazem muito sentido...) rondando por aí, como despertar o interesse de crianças e jovens para o desejo do conhecimento?

Com tantos temas desafiadores na nossa sociedade, como motivá-los para o debate, a reflexão, a atitude? Como sensibilizar, envolver, inspirar?

Na Educação dos nossos tempos, os meios audiovisuais são mais do que meros instrumentos para transmissão de conteúdos: é colocar vida real no aprendizado. É estimular os cinco sentidos. É sensibilizar, fazer sentido.

O que não quer dizer que esses recursos, por si sós, sejam capazes de também envolver e inspirar. Eles são simplesmente ferramentas para que a aprendizagem aconteça de forma mais lúdica, mais interativa. No entanto, o sentido humano nesse processo, o “para quê”, ainda é sua principal razão de ser.

E a razão de ser de um projeto de Educação para esses nossos e novos tempos que acontece no Ceará é a preservação ambiental e das tartarugas marinhas.

Por meio da linguagem do cinema, o Cine Tamar - um cinema ao ar livre com apresentações de filmes e documentários em praças, igrejas e muros de vilas - busca sensibilizar uma comunidade de descendentes indígenas, a Comunidade Almofala, para temas como meio ambiente e pesca predatória, e com informações bastante práticas, envolver e inspirar moradores para preservar o meio em que vivem.




O Cine Tamar é parte das ações de Educação Ambiental do Projeto Tamar, ONG de preservação das tartarugas marinhas. 

Nessa comunidade também foi instalado em 2004 o CEA - Centro de Educação Ambiental. Lá, escolas, faculdades, universidades, grupos de estudantes, pescadores e moradores podem fazer visitas para conhecer mais sobre as tartarugas e meio ambiente. O CEA recebe atualmente 13 mil pessoas por ano.




Outro projeto que também utiliza a sétima arte para sensibilizar e conscientizar sobre questões ambientais é o (Re)ciclo de Cinema.
Percorrendo escolas e praças públicas de todo o Brasil, ele leva com seu cinema itinerante mais que informações sobre desenvolvimento sustentável: leva lazer e Arte. Leva Cultura. Leva possibilidade de uma nova experiência. Leva envolvimento e inclusão.








O projeto já visitou quase 500 escolas públicas de todas as regiões do país, impactando diretamente mais de 50.000 pessoas entre alunos e professores, e cerca de 300.000 nas noites em praças públicas.






Mais que meros meios para a Educação social, estas são ideias audaciosas de princípios nobres para a construção da cidadania. Com fins promissores.




Fonte: www.tamar.org.br
          www.reciclodecinema.blogspot.com




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quanto vale a cultura?

R$ 7.000.000.000, ou 7 bilhões de reais por ano. Pra nós, cidadãos comuns, independentemente de classe social, é uma grande quantia de dinheiro.

Pro governo, é razoável, relativo. Que seria possível desenvolver projetos e amenizar ou solucionar problemas sociais, sem dúvida, mas se é muito ou pouco depende do tamanho, abrangência e complexidade da situação.

Sete bilhões de reais por ano foi o valor estipulado pelo governo federal para a cultura do Brasil em 2013. Dia 27 de dezembro de 2012, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que criou o Vale Cultura: um benefício de R$ 50,00 mensais para que todo trabalhador brasileiro que ganhe até 5 salários mínimos em regime CLT (ou R$ 3,39 mil, de acordo com reajuste salarial em janeiro de 2013) consuma em atividades ou bens culturais: seja indo ao teatro, show, cinema, ou comprando livros e DVD’s.
Estima-se que, atualmente, aproximadamente 17 milhões de pessoas ganham até 5 salários no país.

O termo “Vale Cultura” não me soou bem. Pareceu-me algo como se tivessem dando à pobres, agora, o direito de acesso ao lazer, como se este não fosse um direito de cada um de nós, assim como educação, saúde e trabalho.

No entanto, do ponto de onde estamos / estávamos, saber que o lazer do brasileiro foi considerado como digno de projeto de lei e mais, digno de direcionamento de uma verba dessa de fim único e exclusivo para lazer, vista as peculiaridades do projeto,  me parece um exemplo concreto de mudança e progresso, principalmente em termos de valores sociais.

Cada trabalhador nessas condições ter R$ 50,00 poder ir com sua família no cinema no final de semana ou comprar um livro pro seu filho, sem peso na consciência de estar utilizando essa quantidade de dinheiro com algo “supérfluo” enquanto há outras necessidades básicas pra pagar, sim, é um avanço social. E isso não tem preço.

Assim como já cantou o Titãs certa vez, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, o ser humano precisa, como necessidade básica de sobrevivência, de ilusão para viver, seja em qual característica e dose for. Não fosse assim, novelas, música e Publicidade não teriam a influência que têm em nosso cotidiano, por mais alternativo ao sistema que se deseje ser.

E como você investiria esse dinheiro? Mas afinal, o que é cultura? Novela é cultura? Sertanejo universitário é cultura? Ou um concerto de ópera que pode ser considerado como cultura?

Cultura é aquilo que define uma sociedade em termos de ideias, conhecimentos e atitudes. Segundo o dicionário “cultura” é, em termos gerais, seu conteúdo social. Em termos biológicos e intelectuais, aplicação do espírito em algo, aquilo que, a partir do movimento possível único e exclusivamente à subjetividade humana, transforma algo natural em civilização, em desenvolvimento intelectual.

A partir dessa definição, a ideia aqui não é, em hipótese alguma, dizer que isso ou aquilo pode ou deve ser considerado cultura, ou não pode, ou não deve. Afinal, se cultura é uma manifestação do espírito, independente de ser algo feito pra ser vendável, foi feito por um ser humano. Logo, é cultura. Segundo: há coisas que podem não ser consideradas de “gente culta”, mas simplesmente tocam. Ou seja, cumpriu com sua missão. Teve, em alguma medida, graça, poesia e encantamento.  

Mas será que esse valor não poderia ser melhor aplicado num projeto mais estratégico de ações mais bem definidas e, consequentemente, de resultados passíveis de serem melhor controlados? Afinal, dinheiro público é de interesse de todos saber como está sendo aplicado, e os resultados concretos dos investimentos.

Será que esse dinheiro não poderia ser investido em projetos dentro de escolas com crianças de Educação Infantil e Ensino Fundamental, com temáticas envolvendo os objetivos do milênio estipulados pela ONU, promovendo assim o conhecimento dessa geração sobre eles e desenvolvendo seu senso crítico, reflexão e atitude sobre e para o mundo em que vivem?

                             Fonte: amigosdomilenio.blogspot.com

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-O2qJZ_VbbDBxxRnNXzwfoKZe96spcE0SyBivfwFa3T_XetJfWwQGbzpACCnlqId31_cznqDXqice8jhqvis5MmBHUe-EAViXbJGmKyZu0s2DGUh-a-cUjU1ndWBsk7u8ygNawrKeJ4IK/s1600/Metas_do_Milenio.jpg
Ou financiando projetos científicos e tecnológicos de jovens do Ensino Médio da Educação Profissional que tragam melhorias efetivas para a qualidade de vida de pessoas, seja de um bairro, uma cidade?

Com tantos trabalhos incríveis rolando Brasil afora, não seria mais interessante proporcionar incentivos financeiros a grupos artísticos, que tanto lutam por um lugar ao Sol nesse país, que em contrapartida levem sua arte criativa para essa mesma população que receberia (receberá) o benefício, estimulando assim a valorização da nossa cultura popular?

Ou com incentivos a artistas de rua, artesãos, para que levem sua arte para outros lugares, gerando assim, além de inclusão social e econômica, o resgate de identidades culturais e o respeito e valorização por parte de moradores de outras regiões do país, que sequer teriam a oportunidade de conhecer tais habilidades?

Ou mesmo com incentivo a empresas, para que desenvolvam produtos e serviços culturais social e ambientalmente responsáveis e promovam valores como ética, solidariedade, autonomia e perseverança?

Ou proporcionando meios tecnológicos para que populações de baixa renda produzam seus próprios canais de comunicação (como estações de rádio ou webescolas), gerando assim o fortalecimento de sua auto-estima enquanto grupo social?

São somente ideias minhas, e não sei o quanto tudo isso custaria pra saber se são possíveis ou não de serem colocadas em prática, mas ao investir em um Vale Cultura-Educação, num sistema que não seja de “um (governo) para um (pessoa)” e sim de “um (governo) para muitos (projetos com pessoas)”, os resultados poderiam ser melhor controlados, mais amplos. Mais positivos.

Pensar o valor da cultura de uma nação para além de valores monetários, isso não tem preço.










terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Desejo de ano novo


25 de dezembro. Última terça-feira do ano, mais especificamente após o almoço com as sobras da noite passada e de comer até ficar triste (como diria um tio meu..), e cá estou eu pra última postagem do ano.

Desde que me conheço por gente tenho a sensação de que esse é o único dia e momento do ano que não se há absolutamente nada pra fazer... nada pra se preocupar (ou que seja digno de preocupação nessa ocasião), nada de novo na TV que prenda a atenção, só as mesmas reportagens de comilanças, dietas, Papai Noel, crianças...

Um dia, um só dia de excepcional altruísmo, paz e contentamento em meio urbano que só mesmo a energia mágica do Natal é capaz de proporcionar entre todos os 365 dias. E nesse momento de serenidade luxuosa é que todos os anos começo a pensar de verdade as ideias para o ano que está por vir.

Além dos meus desejos pessoais, um dos meus mais sinceros e fortes desejos é pela Educação do Brasil em 2013. Educação com E maiúsculo, para dentro e além das salas de aula. Educação pra vida.

Desejo verdadeiramente que no próximo ano a Educação caminhe rumo à uma Educação que se ocupe não só de livros, quantidades e conteúdos, mas que principalmente habilite a lidar com sensações, sentimentos, com o humano, no sentido mais amplo da palavra.

Desejo que ela siga em direção à uma Educação que inspire, e não castre. E que oriente o movimento.

Desejo que ela avance rumo à uma Educação que possibilite pessoas a transformar informações fragmentadas em significados, em conhecimento útil sobre o mundo e para a vida. Que possibilite transgredir positivamente.

Desejo que ela caminhe para uma Educação que habilite, em primeiro lugar, a amar. A nós mesmos. Ao nosso próximo. A todos os seres viventes na Terra. Que habilite a buscar o progresso sempre, constante e infinitivamente, mas que também ensine a lidar com as nossas falhas e incertezas da vida.

Vibro pela Educação no próximo ano e sempre, porque só a partir dela é que podemos fazer de todos os nossos dias do ano um pouco mais Natal.







terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Educação pra vida

Sabe aquelas músicas que narram sem tirar nem pôr uma situação ou fase da sua vida? Pois é, uma delas na minha vida é do Kid Abelha, "Educação Sentimental II", eu tinha 16 anos (ou 17, 18...?). É, as coisas realmente passam. 

Hoje, alguns aninhos depois, trago ela à tona novamente, mas sob um outro olhar e por outro motivo (Uau, evolução humana, avance uma casa!). Alguns trechos dela:

A vida que me ensinaram
Como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito
Se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo
É menos do que eu preciso

Agora você vai embora
E não eu sei o que fazer
Ninguém me explicou na escola
Ninguém vai me responder

A quem eu devo perguntar
Aonde eu vou procurar
Um livro onde aprender
A você não me deixar

Hoje, 20 anos depois que essa letra foi escrita - graças a Deus e toda a modernidade a que estamos vivenciando - muita coisa mudou. Ou está em passos largos para.
Uma vida normal pode sim ter um emprego que você trabalha o dia inteiro de pijamas na sua casa, sem precisar sair de sua casa faça-chuva-ou-faça-Sol e bater cartão na empresa todo santo dia.

Uma vida normal pode sim ter família, filhos e tal: mamãe, papai, filhinho. Ou não. Pode ter mamães e filhinho. Papais e filhinho. Ou só mamãe e filhinho. Ou só papai e filhinho.

Mas o que realmente fica evidente nestes trechos é a tão simples e tão sonhada “perfeição” a que as pessoas a seu redor se referiam, naquele momento, era o que ela menos desejava. Que o realmente essencial pra vida dela, o amor que se foi e toda dor que estava sentindo, a escola e os livros não a ensinaram como lidar com toda aquela situação.

Análises de letras de música a parte, hoje, sociedade contemporânea, percebo que existem alguns pequenos movimentos que, com muita sensibilidade na veia, estão percebendo a necessidade de emergirem conhecimentos pra vida. 

Essa é a Educação do Futuro. Colocar conhecimentos teóricos na prática. Fazer sentido. Aprender aquilo que realmente precisamos pra viver bem.
Informação na era Google é simples. A questão é o que fazer com ela.

Nessa empreitada, algumas plataformas bem bacanas - feitas por gente mais bacana ainda – trazem justamente essa proposta: ensinar aquilo que a escola não ensina.
Fritar um ovo sem furar a gema. Trocar um chuveiro. Administrar seu próprio tempo. Quem nunca se deparou com pequenas questões da vida como essas?
Partindo do principio de que todos nós temos algo a aprender ou ensinar nessa vida, a ideia do site “A Grande Escola”: www.agrandeescola.de é justamente unir pessoas que querem ou aprender, ou ensinar, sendo ora aluno, ora professor. Ou só aluno. Ou só professor.

Esse mesmo espírito de colaboração é a essência do Cinese: www.cinese.me
Com cursos que vão de “Jornalismo de Dados”, “Oficina de Poesia”, “Como fazer uma massa perfeita” ou “Encontro de Mulheres Incríveis” e temas que vão de política, cotidiano, Artes, religião e sexo, a plataforma propõe encontros que a gente sempre sai diferente do que entra. Vale muito!

Se você tem uma habilidade incrível que queira dividir com outras pessoas. Ou uma questão que te persegue há tempos e que a escola nunca te ensinou e você nunca teve a oportunidade de perguntar, ir atrás, compartilhar com outras pessoas, quem sabe essa não é a chance.

E como também canta o Kid desde os anos 80, nesses cursos você não vai encontrar a Fórmula do Amor, aquela, a tão procurada com certeza já bem antes desse tempo, que mesmo sabendo o gesto exato e como se deve andar - ainda - não faz nenhum efeito, mas com certeza muita coisa bacana dá pra extrair desses encontros.