Créditos da foto: Fernanda Romero

Créditos da foto: Fernanda Romero

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Fazer sentido

Das minhas experiências em Educação, tanto profissionais como enquanto aluna, percebo que aprendizado de verdade, aquele que se torna imortal porque teve significado, passa invariavelmente por três palavras: sensibilizar, envolver e inspirar.

Talvez por isso sou até hoje uma negação em Exatas, pois a maioria daquilo que precisei “aprender” (leia-se decorar) nessa área não tinha nenhum sentido prático pra minha vida. O “para quê” era meu maior questionamento...

E penso que seja esse o maior desafio da Educação da atualidade. Com tantos estímulos para os sentidos (e que nos fazem muito sentido...) rondando por aí, como despertar o interesse de crianças e jovens para o desejo do conhecimento?

Com tantos temas desafiadores na nossa sociedade, como motivá-los para o debate, a reflexão, a atitude? Como sensibilizar, envolver, inspirar?

Na Educação dos nossos tempos, os meios audiovisuais são mais do que meros instrumentos para transmissão de conteúdos: é colocar vida real no aprendizado. É estimular os cinco sentidos. É sensibilizar, fazer sentido.

O que não quer dizer que esses recursos, por si sós, sejam capazes de também envolver e inspirar. Eles são simplesmente ferramentas para que a aprendizagem aconteça de forma mais lúdica, mais interativa. No entanto, o sentido humano nesse processo, o “para quê”, ainda é sua principal razão de ser.

E a razão de ser de um projeto de Educação para esses nossos e novos tempos que acontece no Ceará é a preservação ambiental e das tartarugas marinhas.

Por meio da linguagem do cinema, o Cine Tamar - um cinema ao ar livre com apresentações de filmes e documentários em praças, igrejas e muros de vilas - busca sensibilizar uma comunidade de descendentes indígenas, a Comunidade Almofala, para temas como meio ambiente e pesca predatória, e com informações bastante práticas, envolver e inspirar moradores para preservar o meio em que vivem.




O Cine Tamar é parte das ações de Educação Ambiental do Projeto Tamar, ONG de preservação das tartarugas marinhas. 

Nessa comunidade também foi instalado em 2004 o CEA - Centro de Educação Ambiental. Lá, escolas, faculdades, universidades, grupos de estudantes, pescadores e moradores podem fazer visitas para conhecer mais sobre as tartarugas e meio ambiente. O CEA recebe atualmente 13 mil pessoas por ano.




Outro projeto que também utiliza a sétima arte para sensibilizar e conscientizar sobre questões ambientais é o (Re)ciclo de Cinema.
Percorrendo escolas e praças públicas de todo o Brasil, ele leva com seu cinema itinerante mais que informações sobre desenvolvimento sustentável: leva lazer e Arte. Leva Cultura. Leva possibilidade de uma nova experiência. Leva envolvimento e inclusão.








O projeto já visitou quase 500 escolas públicas de todas as regiões do país, impactando diretamente mais de 50.000 pessoas entre alunos e professores, e cerca de 300.000 nas noites em praças públicas.






Mais que meros meios para a Educação social, estas são ideias audaciosas de princípios nobres para a construção da cidadania. Com fins promissores.




Fonte: www.tamar.org.br
          www.reciclodecinema.blogspot.com




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quanto vale a cultura?

R$ 7.000.000.000, ou 7 bilhões de reais por ano. Pra nós, cidadãos comuns, independentemente de classe social, é uma grande quantia de dinheiro.

Pro governo, é razoável, relativo. Que seria possível desenvolver projetos e amenizar ou solucionar problemas sociais, sem dúvida, mas se é muito ou pouco depende do tamanho, abrangência e complexidade da situação.

Sete bilhões de reais por ano foi o valor estipulado pelo governo federal para a cultura do Brasil em 2013. Dia 27 de dezembro de 2012, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que criou o Vale Cultura: um benefício de R$ 50,00 mensais para que todo trabalhador brasileiro que ganhe até 5 salários mínimos em regime CLT (ou R$ 3,39 mil, de acordo com reajuste salarial em janeiro de 2013) consuma em atividades ou bens culturais: seja indo ao teatro, show, cinema, ou comprando livros e DVD’s.
Estima-se que, atualmente, aproximadamente 17 milhões de pessoas ganham até 5 salários no país.

O termo “Vale Cultura” não me soou bem. Pareceu-me algo como se tivessem dando à pobres, agora, o direito de acesso ao lazer, como se este não fosse um direito de cada um de nós, assim como educação, saúde e trabalho.

No entanto, do ponto de onde estamos / estávamos, saber que o lazer do brasileiro foi considerado como digno de projeto de lei e mais, digno de direcionamento de uma verba dessa de fim único e exclusivo para lazer, vista as peculiaridades do projeto,  me parece um exemplo concreto de mudança e progresso, principalmente em termos de valores sociais.

Cada trabalhador nessas condições ter R$ 50,00 poder ir com sua família no cinema no final de semana ou comprar um livro pro seu filho, sem peso na consciência de estar utilizando essa quantidade de dinheiro com algo “supérfluo” enquanto há outras necessidades básicas pra pagar, sim, é um avanço social. E isso não tem preço.

Assim como já cantou o Titãs certa vez, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, o ser humano precisa, como necessidade básica de sobrevivência, de ilusão para viver, seja em qual característica e dose for. Não fosse assim, novelas, música e Publicidade não teriam a influência que têm em nosso cotidiano, por mais alternativo ao sistema que se deseje ser.

E como você investiria esse dinheiro? Mas afinal, o que é cultura? Novela é cultura? Sertanejo universitário é cultura? Ou um concerto de ópera que pode ser considerado como cultura?

Cultura é aquilo que define uma sociedade em termos de ideias, conhecimentos e atitudes. Segundo o dicionário “cultura” é, em termos gerais, seu conteúdo social. Em termos biológicos e intelectuais, aplicação do espírito em algo, aquilo que, a partir do movimento possível único e exclusivamente à subjetividade humana, transforma algo natural em civilização, em desenvolvimento intelectual.

A partir dessa definição, a ideia aqui não é, em hipótese alguma, dizer que isso ou aquilo pode ou deve ser considerado cultura, ou não pode, ou não deve. Afinal, se cultura é uma manifestação do espírito, independente de ser algo feito pra ser vendável, foi feito por um ser humano. Logo, é cultura. Segundo: há coisas que podem não ser consideradas de “gente culta”, mas simplesmente tocam. Ou seja, cumpriu com sua missão. Teve, em alguma medida, graça, poesia e encantamento.  

Mas será que esse valor não poderia ser melhor aplicado num projeto mais estratégico de ações mais bem definidas e, consequentemente, de resultados passíveis de serem melhor controlados? Afinal, dinheiro público é de interesse de todos saber como está sendo aplicado, e os resultados concretos dos investimentos.

Será que esse dinheiro não poderia ser investido em projetos dentro de escolas com crianças de Educação Infantil e Ensino Fundamental, com temáticas envolvendo os objetivos do milênio estipulados pela ONU, promovendo assim o conhecimento dessa geração sobre eles e desenvolvendo seu senso crítico, reflexão e atitude sobre e para o mundo em que vivem?

                             Fonte: amigosdomilenio.blogspot.com

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-O2qJZ_VbbDBxxRnNXzwfoKZe96spcE0SyBivfwFa3T_XetJfWwQGbzpACCnlqId31_cznqDXqice8jhqvis5MmBHUe-EAViXbJGmKyZu0s2DGUh-a-cUjU1ndWBsk7u8ygNawrKeJ4IK/s1600/Metas_do_Milenio.jpg
Ou financiando projetos científicos e tecnológicos de jovens do Ensino Médio da Educação Profissional que tragam melhorias efetivas para a qualidade de vida de pessoas, seja de um bairro, uma cidade?

Com tantos trabalhos incríveis rolando Brasil afora, não seria mais interessante proporcionar incentivos financeiros a grupos artísticos, que tanto lutam por um lugar ao Sol nesse país, que em contrapartida levem sua arte criativa para essa mesma população que receberia (receberá) o benefício, estimulando assim a valorização da nossa cultura popular?

Ou com incentivos a artistas de rua, artesãos, para que levem sua arte para outros lugares, gerando assim, além de inclusão social e econômica, o resgate de identidades culturais e o respeito e valorização por parte de moradores de outras regiões do país, que sequer teriam a oportunidade de conhecer tais habilidades?

Ou mesmo com incentivo a empresas, para que desenvolvam produtos e serviços culturais social e ambientalmente responsáveis e promovam valores como ética, solidariedade, autonomia e perseverança?

Ou proporcionando meios tecnológicos para que populações de baixa renda produzam seus próprios canais de comunicação (como estações de rádio ou webescolas), gerando assim o fortalecimento de sua auto-estima enquanto grupo social?

São somente ideias minhas, e não sei o quanto tudo isso custaria pra saber se são possíveis ou não de serem colocadas em prática, mas ao investir em um Vale Cultura-Educação, num sistema que não seja de “um (governo) para um (pessoa)” e sim de “um (governo) para muitos (projetos com pessoas)”, os resultados poderiam ser melhor controlados, mais amplos. Mais positivos.

Pensar o valor da cultura de uma nação para além de valores monetários, isso não tem preço.










terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Desejo de ano novo


25 de dezembro. Última terça-feira do ano, mais especificamente após o almoço com as sobras da noite passada e de comer até ficar triste (como diria um tio meu..), e cá estou eu pra última postagem do ano.

Desde que me conheço por gente tenho a sensação de que esse é o único dia e momento do ano que não se há absolutamente nada pra fazer... nada pra se preocupar (ou que seja digno de preocupação nessa ocasião), nada de novo na TV que prenda a atenção, só as mesmas reportagens de comilanças, dietas, Papai Noel, crianças...

Um dia, um só dia de excepcional altruísmo, paz e contentamento em meio urbano que só mesmo a energia mágica do Natal é capaz de proporcionar entre todos os 365 dias. E nesse momento de serenidade luxuosa é que todos os anos começo a pensar de verdade as ideias para o ano que está por vir.

Além dos meus desejos pessoais, um dos meus mais sinceros e fortes desejos é pela Educação do Brasil em 2013. Educação com E maiúsculo, para dentro e além das salas de aula. Educação pra vida.

Desejo verdadeiramente que no próximo ano a Educação caminhe rumo à uma Educação que se ocupe não só de livros, quantidades e conteúdos, mas que principalmente habilite a lidar com sensações, sentimentos, com o humano, no sentido mais amplo da palavra.

Desejo que ela siga em direção à uma Educação que inspire, e não castre. E que oriente o movimento.

Desejo que ela avance rumo à uma Educação que possibilite pessoas a transformar informações fragmentadas em significados, em conhecimento útil sobre o mundo e para a vida. Que possibilite transgredir positivamente.

Desejo que ela caminhe para uma Educação que habilite, em primeiro lugar, a amar. A nós mesmos. Ao nosso próximo. A todos os seres viventes na Terra. Que habilite a buscar o progresso sempre, constante e infinitivamente, mas que também ensine a lidar com as nossas falhas e incertezas da vida.

Vibro pela Educação no próximo ano e sempre, porque só a partir dela é que podemos fazer de todos os nossos dias do ano um pouco mais Natal.







terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Educação pra vida

Sabe aquelas músicas que narram sem tirar nem pôr uma situação ou fase da sua vida? Pois é, uma delas na minha vida é do Kid Abelha, "Educação Sentimental II", eu tinha 16 anos (ou 17, 18...?). É, as coisas realmente passam. 

Hoje, alguns aninhos depois, trago ela à tona novamente, mas sob um outro olhar e por outro motivo (Uau, evolução humana, avance uma casa!). Alguns trechos dela:

A vida que me ensinaram
Como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito
Se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo
É menos do que eu preciso

Agora você vai embora
E não eu sei o que fazer
Ninguém me explicou na escola
Ninguém vai me responder

A quem eu devo perguntar
Aonde eu vou procurar
Um livro onde aprender
A você não me deixar

Hoje, 20 anos depois que essa letra foi escrita - graças a Deus e toda a modernidade a que estamos vivenciando - muita coisa mudou. Ou está em passos largos para.
Uma vida normal pode sim ter um emprego que você trabalha o dia inteiro de pijamas na sua casa, sem precisar sair de sua casa faça-chuva-ou-faça-Sol e bater cartão na empresa todo santo dia.

Uma vida normal pode sim ter família, filhos e tal: mamãe, papai, filhinho. Ou não. Pode ter mamães e filhinho. Papais e filhinho. Ou só mamãe e filhinho. Ou só papai e filhinho.

Mas o que realmente fica evidente nestes trechos é a tão simples e tão sonhada “perfeição” a que as pessoas a seu redor se referiam, naquele momento, era o que ela menos desejava. Que o realmente essencial pra vida dela, o amor que se foi e toda dor que estava sentindo, a escola e os livros não a ensinaram como lidar com toda aquela situação.

Análises de letras de música a parte, hoje, sociedade contemporânea, percebo que existem alguns pequenos movimentos que, com muita sensibilidade na veia, estão percebendo a necessidade de emergirem conhecimentos pra vida. 

Essa é a Educação do Futuro. Colocar conhecimentos teóricos na prática. Fazer sentido. Aprender aquilo que realmente precisamos pra viver bem.
Informação na era Google é simples. A questão é o que fazer com ela.

Nessa empreitada, algumas plataformas bem bacanas - feitas por gente mais bacana ainda – trazem justamente essa proposta: ensinar aquilo que a escola não ensina.
Fritar um ovo sem furar a gema. Trocar um chuveiro. Administrar seu próprio tempo. Quem nunca se deparou com pequenas questões da vida como essas?
Partindo do principio de que todos nós temos algo a aprender ou ensinar nessa vida, a ideia do site “A Grande Escola”: www.agrandeescola.de é justamente unir pessoas que querem ou aprender, ou ensinar, sendo ora aluno, ora professor. Ou só aluno. Ou só professor.

Esse mesmo espírito de colaboração é a essência do Cinese: www.cinese.me
Com cursos que vão de “Jornalismo de Dados”, “Oficina de Poesia”, “Como fazer uma massa perfeita” ou “Encontro de Mulheres Incríveis” e temas que vão de política, cotidiano, Artes, religião e sexo, a plataforma propõe encontros que a gente sempre sai diferente do que entra. Vale muito!

Se você tem uma habilidade incrível que queira dividir com outras pessoas. Ou uma questão que te persegue há tempos e que a escola nunca te ensinou e você nunca teve a oportunidade de perguntar, ir atrás, compartilhar com outras pessoas, quem sabe essa não é a chance.

E como também canta o Kid desde os anos 80, nesses cursos você não vai encontrar a Fórmula do Amor, aquela, a tão procurada com certeza já bem antes desse tempo, que mesmo sabendo o gesto exato e como se deve andar - ainda - não faz nenhum efeito, mas com certeza muita coisa bacana dá pra extrair desses encontros. 







terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ensino Inovador

Confesso, sem nenhuma pretensão de nada, que histórias de superação me chamam a atenção. Em especial daquelas pessoas que tinham tudo pra sentar e chorar: “óh vida, óh céus, oh azar” e encontram, ou mesmo criam oportunidades onde poderia haver só conformismo.

Mas foi bastante desproposital a forma que conheci a história a seguir.
Não sei se pelo colorido da foto (ou será porque meu subconsciente identificou os livros antes da minha consciência?), mas dia desses essa imagem me chamou a atenção de imediato.


Trata-se da biblioteca de uma escola flutuante. Isso mesmo, uma escola - com tudo o que tem direito - montada dentro de um barco, em Bangladesh, país asiático rodeado quase que todo pela Índia.




Equipadas com bibliotecas, salas de aula e computadores e notebooks com acesso à Internet, as vinte barco-escolas movidas por energia solar navegam para levar ensino e conhecimento para crianças moradoras de regiões que tornam-se isoladas em época de chuvas.


Ao todo, quase 88 mil famílias são beneficiadas pela ideia desenvolvida pela ONG Shidhulai Swanirvar Sangstha, que ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais pela peculiaridade e impacto do projeto. 

E além das crianças, adultos também podem frequentar cursos de Nutrição, agricultura sustentável, gestão de resíduos e direitos humanos, disponibilizados por algumas das escolas flutuantes.





Em Bangladesh, oitenta por cento da população não tem acesso regular à energia elétrica. Por isso, o projeto também oferece às crianças lanternas, sem nenhum custo, para que possam continuar seus estudos em casa.



Aqui no Brasil, o SENAI de Amazonas realiza um projeto parecido para comunidades ribeirinhas da região. No entanto, se trata do barco-escola Samaúma, de cursos profissionalizantes. 

Às margens do rio, a embarcação oferece dezessete cursos, entre eles os de mecânica, costura industrial, marcenaria, educação ambiental, panificação e confeitaria e motores marítimos.



O bacana é que os cursos são voltados para a formação de empreendedores, e não apenas formar mão-de-obra nessas áreas.

As atividades realizadas no barco já formaram mais de 33 mil alunos, e atuou também em municípios ribeirinhos do Pará, Roraima e Acre.

Essas experiências levam muito mais que ensino. Levam cidadania, fortalecem a auto-estima dos envolvidos, promovem inclusão. 

E sabe qual a lição mais importante que essas pessoas aprendem por meio dos barcos flutuantes? 
A capacidade de superação frente adversidades.



Fontehttp://www.shidhulai.org
          http://www.fieam.org.br

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma mãozinha tão pequeninha...

O último post desse blog rendeu alguns comentários e conversas. Talvez e justamente por ainda ser um tabu, esse é um assunto que rende até...

Mas um deles me chamou mais a atenção. Uma amiga minha, mãe de uma criança de 05 e outra de 02 anos me disse (referindo-se à criança mais velha): "quando vem com perguntas até dá pra escapar pela tangente. O problema é quando a gente pega nossa bebezinha com a mãozinha lá, e curtindo..."

Num primeiro momento, o pensamento que me veio à cabeça foi: se ela fosse um menino, o espanto teria sido menor?
Mas a primeira pergunta que fiz a ela foi: e você?
Ela: ah, tentei despistar. Chamei ela pra vir ver uma coisa na TV, nem lembro o que era, fiquei sem reação no momento...

É compreensível que esse tipo de cena gere um transtorno na cabeça desses pais. Afinal, como assim, tão pequenininho(a)...
Essa é a reação (ou a falta dela) da maioria dos pais quando flagram seus babys nesse tipo de situação: tentar despistar, chamar a atenção pra outra coisa ou pior, brigar, dizer que isso é feio, que não se faz. 

A questão é que todas essas reações podem trazer problemas a essas crianças futuramente. Mesmo que não chame a atenção nem brigue com ela, somente tentar despistar seu foco para outra coisa pode sim fazer com que a criança entenda que aquilo que ela estava fazendo é feio. 

Brigar, dizer que é sujo, é ruim, pior ainda. Irá gerar um dilema na cabecinha dela como: é feio, mas é bom? Logo, pode acarretar em sensação de culpa e  problemas emocionais e sexuais na vida adulta.

A melhor opção nesses casos é conversar com ela. Dizer que esse tipo de coisa não se faz na frente das pessoas, que é indelicado, que certas coisas não se faz na frente de ninguém, assim como fazer xixi e cocô. E o principal: deixar claro à ela que a infância é um período único em nossa vida e que ela tem muito com o que aproveitar esse momento, fazendo amigos, aprendendo coisas novas, brincando muito...

Se a criança está recorrendo muito à essa prática, pode ser sinal de algum tipo de ansiedade, ou seja, muita energia que ela não está sabendo como direcionar, ou mesmo que ela simplesmente não está se satisfazendo com as suas atividades habituais. Nesses casos, é necessário rever qual é sua rotina e suas formas de entretenimento. 




terça-feira, 27 de novembro de 2012

50 tons de luz


Semana passada me deparei com uma cena bastante inusitada no metrô. Uma mulher portando o Best-seller “Cinquenta tons de cinza” encapado com folha de sulfite.

Embora não tenha lido o livro, e tudo o que sei sobre ele tenha chegado até mim por acaso (de verdade!), pois, embora “em alta”, nunca tinha me interessado em saber mais sobre ele. 

Mas aquela cena me fez refletir... por que uma mulher independente, que aparentemente trabalha e ganha seu próprio dinheiro, estaria portando aquela obra encapada? Afim de esconder o quê? De quem?

Penso que a questão principal aí está, ainda, no tabu em relação ao sexo. Segundo Maslow, Psicólogo americano e sua “hierarquia das necessidades básicas”, sexo é uma das necessidades básicas do ser humano, assim como comer, beber, dormir, respirar, abrigar-se e excretar.

Desde a infância, esse é um assunto que ainda hoje gera muitas dúvidas. 
Eu, hoje com 26 anos, cresci sem falar absolutamente nada sobre isso com meus pais. Lembro-me que certa vez fiz à minha mãe uma das perguntas mais comuns dessa fase “como é que os bebês vão parar na barriga das mães?”. Sem resposta.

Uma série de ideias rondavam a minha pequena cabecinha, como eles entrando na barriga (não sei exatamente como!) enquanto as mulheres dormiam.

O problema é que, com as possibilidades de acesso à informação que temos atualmente, muitas vezes totalmente distorcidas e irreais, se os pais não proporcionarem os esclarecimentos em casa sobre o assunto, com certeza crianças buscarão fora, e não se sabem as consequências disso. Além de que, dúvidas, especialmente na mente dos pequenos, sempre são fantasmas no escuro. 

Não é a intenção desse texto ser um manual de “quando seu filho perguntar isso, responda isso”, mas as duas principais ideias: responda somente aquilo que lhe for perguntado e trate do assunto com naturalidade, sem conduzi-lo como algo feio ou para sentir culpa. Lembre-se: a criança está em busca de descobertas, não de malícia.

Desejos são naturais, em todos nós. O que talvez tenha se mostrado naquela capa de livro encapada é que, pra aquela mulher adulta e dona do seu próprio nariz, não tenha ficado claro até hoje o abismo de diferença entre liberdade e libertinagem.